sexta-feira, 15 de novembro de 2013

2 finais de semana 2 provas – G4 e 110 anos do Atletismo Esperia

Juro que eu tento escrever, mas o tempo está curto para muito trabalho e o blog acaba pagando o pato… e essas duas semanas foram muito especiais, apesar do sol, o astro rei, tentar estragar a festa…. Mas vamos lá, no dia 03/11 fui pra Brasília enfrentar o forno da Golden four e no final de semana seguinte, no dia 09/11, foi o dia de ser Mo Farah, fui enfrentar minha primeira prova na pista, 4500m na prova de 110 anos do Atletismo do Esperia.

Golden Four de Brasília

No dia 03/11 chegou minha prova alvo do segundo semestre, a golden four de Brasília. O final de semana foi pra lá de especial, pois minha família se reuniu e acabei vendo tia e primos que há muito tempo não via. Isso sem falar nas aventuras gastronômicas, com almoço na casa de um primo, lanche na casa de outro e janta na casa de uma tia…. O carbload foi fantástico… :)

Para o domingo a previsão do tempo dizia, tempo encoberto e temperaturas na casa dos 17ºC, mas quando saí do hotel e vi o sol nascendo e um céu azul lindo de morrer percebi que a previsão tinha errado e que a prova poderia se tornar um forno….

Fui pra largada já aquecendo, deixei minhas coisas no guarda volume e já fui para o local de largada. Enquanto esperávamos vejo um homem com carrinho de bebê praticamente na largada. Gostaria que me explicassem como uma prova que diz ser voltada a performance deixa um carrinho de bebê entrar lá na frente (ou foi elite B ou foi pelotão vermelho). Quando foi dada a largada passei por ele e disse que ele era louco de largar com uma criança lá na frente e que era irresponsável por correr com uma criança. Ele por sua vez me xingou e me chamou de mau humorada. Tudo bem que o cara corria bem, mas empurrar uma criança por 21km num calor daqueles é no mínimo uma insanidade e podia ter causado um acidente feio na largada.

Bom passado este episódio os primeiros km foram de descida, lembrando de alguns conselhos, mantive o ritmo evitei não segurar e fui seguindo sem forçar. Percebi que a fc estava alta e já comecei a imaginar que manter o plano A seria difícil. O ritmo encaixou 4:50/4:55 e fui seguindo. No km 5 percebi que não tomei todos os suplementos que normalmente tomo no começo da prova, mas isso não justificava a fc alta e a dificuldade em manter o ritmo. Acabei tomando este suplemento no km 6, mas não mudou nada kkkk

Quando fizemos o retorno perto do km 8 e começamos a subir, meu inferno começou… a fc subiu mais o ritmo caiu e comecei a pensar em desistir. Passei pelo km 10 com 48min, nada mal até então, mas sabia que seria muito difícil continuar no ritmo. daí começou a guerra entre o corpo e a mente, a todo custo tentava me manter correndo e a vontade de parar só aumentava.

Passei por uma corredora (a Morgana que depois nos conhecemos) e falei para ela, “vamos menina estou te seguindo e vamos terminar esta prova juntas”. No km 12 já com ritmo em torno de 5:15 e fc em torno de 188 pensei em andar, neste momento a Morgana passa por mim e fala “Não para não, vamos juntas”, aquilo me deu uma dose de ânimo e segui com ela. Foi uma parceria silenciosa, ela do meu lado e eu lutando para não parar.

No km 14 quando a ladeira terminou e começamos a descer novamente, tudo melhorou e o ritmo voltou para 4:55/5:00, mas não consegui seguir por muito tempo, perto do km 16 falei para a Morgana seguir em frente, pois precisava andar. Andei por uns 200m e esperei a fc baixar bastante para voltar a correr.

20131103_091625Com a fc mais baixa voltei a correr melhor, mas mesmo assim a luta permanecia. No km 17, os marcadores dos 1h45m passaram por mim e percebi que o plano B também já tinha ido embora. Agora só me restava terminar a prova…IMG_20131103_093447

Novamente lutando comigo para me manter correndo fui seguindo com ritmo 5:10. No km 20 um corredor de Natal passou por mim e eu acelerei e disse “vou tentar ir com você”. Ele me disse, “vamos para terminar com menos de 1h45”, mas eu não consegui manter o ritmo e falei para ele seguir em frente. Ele me disse que agora era tudo uma questão de cabeça e para seguir em frente mantendo o ritmo… E assim eu fui até a linha de chegada, fechando a prova com 1:47:12. O tempo ficou 5 min acima do que eu pretendia, não foi PR e o tempo foi maior que o ano passado, mas diante das condições da prova foi uma conquista e tanto. Claro que fiquei frustrada, estava treinada e sabia que podia fazer uma boa prova, mas também sei que existem dias e dias e as condições climáticas não permitiram.

Na hora de voltar para SP mais uma surpresa, encontro com o Drica do blog 20131103_141921(http://correndonaviagem.blogspot.com.br/), bem na verdade ela me encontrou. Estava entrando no ônibus quando alguém me chama e me  pergunta se eu era Yeda, respondi que sim e ela se apresentou… ainda bem pois sou péssima de fisionomia, não reconheço ninguém kkk. Foi um rápido encontro, mas percebi que ela é exatamente o que eu achava, uma simpatia em pessoa. Foi muito, mais uma amiga que deixou de ser virtual para se tornar real

 

 

4500 na pista – 110 anos do Atletismo do Espéria

Depois de Brasília, eu praticamente só descansei durante a semana. O tempo virou fez frio e choveu quase a semana toda e eu aproveitei para dormir. Quando o sábado chegou estava recuperada da G4 e pronta para os 4500m.

Adorei cada minuto da prova, muitos amigos reunidos, a elite do Esperia reunida e muito bla bla bla antes da prova. Houveram 5 baterias, uma de caminhada e 4 correndo. Eu fiquei na última bateria junto com os feras do clube e foi praticamente a bela e os feras…kkkk

20131109_114046 Quando chegou a nossa bateria eram mais de 10:30, para variar o sol brilhava forte e seriam 12 voltas na pista no ritmo pra morte. Quando a largada foi dada saímos muito forte e fiz a primeira volta com ritmo abaixo de 4:00, fui reduzindo aos poucos tentando manter o ritmo abaixo de 4:30. Na metade da prova não aguentei e o ritmo caiu para 4:40. O primeiro e segundo colocado deram duas voltas em mim e a chegada deles foi na minha frente com um sprint alucinante. Daí eu fui controlando o ritmo e fechei os 4500m em 20min43s, se fosse 5k seria novo PR.

Após a nossa bateria, a elite do Esperia fez uma exibição, eles correram 5000m e a velocidade que eles correm mesmo com sol é incrível. O Ivanildo fechou a prova com 15min, tempo bem acima do que ele costuma fazer.

Na premiação fui parar no posto mais alto do pódio, me tornei a amadora mais rápida do Espéria e fiz jus ao meu apelido, “a loira da pista que corre pra caramba”

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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Tudo pronto…

Agora não dá mais tempo, o que tinha que ser feito já foi e o que resta é chegar na prova e fazer o que foi treinado… Sabemos que prova não é equação lógica e só sabemos se teremos ou não PR no dia, tudo irá depender do clima, de como você acorda, do descanso dos dias anteriores, etc.

As duas últimas semanas de treino foram muito boas e de certa maneira me dá a confiança para fazer uma boa prova (Isso me lembra o Bessa e seu texto sobre sorte, neste caso era melhor que tudo tivesse saído errado e que meu treinador tivesse brigado comigo :), mas enfim esta é outra história )

Semana infernal

Depois da Corrida de Santos Dumont e o excelente resultado, os treinos não foram aliviados, muito pelo contrário, entrei na temível semana infernal. Não importa quantos treinos eu faça por quantos ciclos eu passe, estarei sempre me referindo a semana mais pesada como semana infernal… É muito mimimi, eu sei, mas sou assim adoro cada um destes treinos mesmo reclamando :)

Na terça o treino foi 8 de 6min ritmo médio, como ainda estava inspirada pelo treino de sábado, fiz com ritmo de 4:50/4:55 e na chuva, fechando o treino com quase 11,5km

Na quarta novamente treino na chuva, mas por causa de um susto, onde uma ambulância quase bateu no meu carro, o treino de 4 de 2 km a 80% foi difícil e o ritmo ficou em torno de 5:00.

Na sexta estava me sentindo melhor e voei baixo no treino que era 8 de 4 min ritmo médio forte, o ritmo ficou em torno de 4:30 e no final fechei o treino com 12km.

No sábado treino leve de 30min apenas para soltar as pernas para o treino de domingo que era 10 de 1 km ritmo médio forte, seguido por 2 de 3km ritmo médio. Não sabia se ia aguentar ou não, mas resolvi arriscar, os tiros de 1km saíram com ritmo de 4:30 e os de 3km com ritmo de 4:50.

Treinos e Rinite

Uma reforma no meu apartamento resultou numa forte rinite e a semana começou com off no treino de terça-feira. Achei melhor descansar já que fiquei com rosto inchado, olhas lacrimejando e uma forte dor de cabeça.

Na quarta-feira nada de descanso, o treino 15 de 1min ritmo leve, seguido por 15 min ritmo médio foi completado com sucesso.

Na sexta-feira, novamente 5 km prog ate 85%, desta vez o ritmo não foi tão bom, o clima abafado não ajudou e fechei este treino com 23min57s.

No sábado a planilha dizia 12 a 15 km ritmo prova, mas o cansaço da semana junto com a rinite não me deixaram correr direito. Percebi logo no início que não daria para forçar o ritmo, então decidi fazer um treino tranquilo e acabei fechando os 15km em 1h17min.

No domingo o treino foi leve 20min de aquecimento seguido por 15 x 30'', fechando o treino com quase 5km.

A semana pré-prova começou e estou me sentindo muito cansada e com sono acumulado…A ordem agora será me alimentar e dormir bem para chegar totalmente recuperada na Golden Four.

O resultado desta prova? Só saberemos no domingo…..

domingo, 13 de outubro de 2013

A corrente do bem, treinos e PR

Não gosto de ficar sem escrever, aqui eu registro todas as minhas alegrias, tristezas, dores e conquistas. Escrever aqui é quase como um diário, deixo os meus sentimentos e de vez em quando ao reler minhas semanas de treinos consigo reviver o sentimento e o momento pelo qual estava passando. E devo dizer que estas 3 longas semanas foram cheias de acontecimentos, conquistas e recordações….

Maratona de SP, a corrente do bem

20131006_101647Vou começar pela maratona de SP, desta vez não fui lá para correr e sim para distribuir coca-cola. Tudo começou após a maratona do Rio, eu e um amigo decidimos fazer aqui em SP, algo que uma turma de corredores faz há anos no Rio, distribuir coca-cola no final da maratona. O efeito da coca-cola não é físico, é psicológico. Estar nos km finais lutando contra você mesmo para terminar a prova, correndo praticamente sozinho, já que o público dificilmente vai para a rua incentivar os atletas e de repente se deparar com um bando de loucos distribuindo copo de coca-cola e desejando boa prova, é quase como encontrar água no deserto.

Reunimos mais 3 amigos, compramos 36 litros de coca-cola, acertamos a logística e fomos para a frente do Jockey, local totalmente deserto e antes dos temíveis túneis. A Samantha, como já trabalhou em buffet, nos ajudou com idéias para servir e distribuir os copos de coca-cola e devo confessar que sem ela estaríamos perdidos. A hora que começou foi uma loucura, a Claudia, o Ogata ficaram distribuindo os copos, eu e o Paulo ficamos enchendo os copos e a Samantha alternou entre distribuir e nos ajudar a encher. Não vi a hora passar e tão pouco os atletas, apenas escutava os agradecimentos e as brincadeiras. No final conseguimos servir praticamente todos os atletas que terminaram em até 4h30. Depois disso, foi o trabalho de recolher todos os copos. Doamos mais do que coca-cola, doamos energias positivas e recebemos em dobro. Quando terminamos estávamos exaustos, mas com uma felicidade sem fim e até hoje me emociono ao recordar tudo o que vivemos. No ano que vem voltaremos e esperamos que com mais ajuda e mais coca-cola para podermos atender mais atletas.

Treinos

Acho que o vendaval me ajudou de alguma forma, estou mais forte e veloz. Cada treino tem sido uma surpresa e com tempos no mínimo surpreendentes. Para se ter uma idéia, tive 3 sextas-feira com treinos de 5km e os tempos foram 24’28 (20/09), 23’53 (27/09) e 23’38 (4/10)

Já nos treinos de sábados a evolução também foi sensível. Em 28/09, o treino era 3 de 3km a 80% e fiz todas as séries com ritmo 5'00.

Já em 05/10, o treinos era 10 de 1 km ritmo médio forte, comecei imaginando que faria estas séries com ritmo de 4’40, mas para minha surpresa consegui fazer todas as series com ritmo abaixo de 4’30. Terminei muito feliz e sem acreditar no resultado deste treino

Em 12/10, o treino era 10km a 85%/90%, como um amigo se machucou e me deu o chip e o número da prova Santos Dumont, resolvi fazer este treino durante a prova. Comecei a prova achando que iria correr com ritmo em torno de 4:50, já que este foi o ritmo nas 10milhas e a fc ficou dentro dos 85%, só que o ritmo que encaixou era de 4:40, resolvi então seguir com este ritmo até a fc atingir o limite e depois reduziria, mas a fc ficou dentro da meta e segui com ritmo variando entre 4:40/4:50. Passei os 8km sem sentir esforço e acelerei apenas no último km. No final fechei este treino prova em 47’23, novo PR para os 10km. Se estivesse com meu nome seria 9º no geral e 2º amadora, nada mal para um treino…

A Golden four está chegando e a pergunta que não quer se calar é com que ritmo eu vou… Estou navegando por mares nunca dantes navegados e realmente não sei como será esta prova, se tudo der certo, será mais uma boa surpresa para a minha coleção.

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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Depois das provas vem a ventania….

Sabe aquele ditado que diz que quando a vida oferece limões fazemos limonada? Então, nos treinos não é muito diferente, o simples ato de correr envolve tantas variáveis que não é possível controlar todas e tentar sempre obter o melhor tempo é praticamente impossível….  As condições ideais de treino, como o CNTP (condições normais de temperatura e pressão) nas pesquisas, só existem no mundo ideal, com isso temos dia bons, dias ruins, dias extraordinários e dias terríveis e um atleta deve aprender a reconhecer estas variáveis e fazer o seu melhor mesmo que isto não resulte num bom tempo.

Um recorde normalmente é batido quando este conjunto de variáveis tornam-se favoráveis, estar apenas bem treinado não garante recorde, apenas o deixa capacitado a buscá-lo. O mesmo vale para um treino, o treinador quando elabora a planilha, está considerando o ambiente ideal, mas cabe ao atleta, principalmente ao amador, analisar as variáveis, como cansaço e stress devido ao trabalho, coração partido, temperatura muito alta, umidade baixa, percurso com altimetria variável ou então momentos alegres da vida, férias, temperatura baixa, etc e fazer ajustes nos treinos.

Por exemplo, eu treino baseado em frequência cardíaca (fc) e dependendo destas variáveis, o ritmo numa determinada fc pode variar absurdamente e não significa que estou melhor ou pior, mostra simplesmente que estas variáveis ajudaram ou não… ficar frustrado porque num treino onde tudo jogou contra, não foi exatamente o que o treinador pediu é tão inútil quanto tentar prever onde o arco íris irá aparecer.

Bom tudo isso, foi só para justificar a minha semana que começou muito bem e terminou levada pelo vento….

Na terça-feira achei que iria estar com a musculatura cansada por causa da prova de domingo, mas isto não aconteceu e consegui fazer o treino, 8 de 2’30 a 80% com ritmo em torno de 5:00.

Na quarta-feira, o treino 2 de 4 km 80% também foi muito bem, fiz a primeira série com ritmo 5:10 e a segunda com ritmo 5:04, correndo solta e sem forçar.

Na sexta-feira chegou a vez de 5 km a 85%, comecei correndo tranquilo com ritmo em torno de 5:10, quando me dei conta que podia acelerar e correr com ritmo menor. Fui pra cima e fechei os 5km em 24min28s.

No sábado, como numa mudança repentina de tempo, tudo mudou…. O treino era pra ser passeio no parque, 20km a 80%. Não sabia exatamente que ritmo ir, mas a idéia era girar em torno de 5:10/5:15 e se tivesse bem acelerar para 5:00. Mas as variáveis não permitiram, o tempo estava quente e seco, eu dormi pouco, comi uma banana que parou minha digestão e já nos primeiros km dei um mau jeito no pescoço o que me fez correr com dor da cabeça até o ombro. Tentei ainda no começo forçar o ritmo, mas não conseguia ir mais rápido que 5:20. Para piorar enfrentei a pior ventania da minha vida, ventava tão forte que precisava fazer esforço tremendo para me manter correndo. Diante disso, tinha duas opções, abortar o treino ou aproveitar a vista…. Decidi aproveitar a vista e apenas completar a quilometragem correndo no ritmo que desse. Fui levando o treino, a ventania desgastou minha musculatura e no final praticamente me arrastei… Fechei o treino em 1:53:00 literalmente acabada, tão exausta que desabei no chão, sem coragem para levantar. Nem em treinos de 34km terminei deste jeito…

Passei o sábado largada no sofá e no domingo ainda estava tão cansada que abortei o treino e dormi até o corpo dizer chega…. Foi tão bom…

Posso afirmar que o treino de domingo entrou com certeza para o ranking dos treino/prova mais difíceis da minha vida, aquele para contar para meus netos o dia que transformei limões em limonada e aproveitei a vista.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

10 Milhas

Correr com ritmo na casa dos 4:xx era algo tão inacessível que eu sequer ousava sonhar, o meu maior sonho sempre foi chegar aos 50min nos 10km. Nunca tinha imaginado correr uma meia quem dirá uma maratona e quando olho para trás vejo que tudo aconteceu de um simples pensamento “Será que eu consigo?”

Nunca coloquei minha felicidade numa meta impossível, pelo contrário sempre encontrei a felicidade em cada passo conquistado, em cada treino cumprido e em cada segundo baixado.

Este domingo foi um dia muito especial, sabia que podia correr rápido, mas não sabia o quão rápido podia ir. O tempo seco e quente, o percurso passando pela Politécnica deixava tudo ainda mais incerto… E a grande pergunta era “será que eu conseguiria terminar? Será que não morreria na metade?” Bom, decidi tentar correr o mais rápido que pudesse, deixando a fc numa faixa mais segura pelo menos no começo, no segundo terço da prova se tivesse bem iria acelerar e no terceiro terço, aceleraria o máximo que pudesse. Só que (tem sempre um só que) a execução saiu um pouquinho diferente.

Quando foi dado a largada, saí como uma vaca doida acelerando e tentando fugir do tumulto. Logo nos primeiros metros, uma surpresa, vi que em vez de seguir pelo Jóquei, já viramos para a Ponte da Cidade Universitária. Resolvi atacar a subida e acelerar na descida, tanto na ida da ponte quanto na volta e para sofrer menos na ponte… Daí continuei forçando, não tanto quanto uma prova de 10km, mas com certeza mais forte que eu imaginava, com ritmo entre 4:50 e 4:55. Nesta parte resolvi esquecer minha estratégia e seguir neste ritmo o quanto eu podia… Marquei um casal que corria solto neste ritmo e fui acompanhando…

Viramos no sentido do Jóquei e continuamos na mesma toada, fizemos o retorno e voltamos para a USP, as vezes passava este casal, as vezes eles me passavam. Quando chegamos na raia da USP, meu ritmo caiu um pouco e o casal seguiu em frente se distanciando de mim. Neste momento eu vi uma moça loira com camisa rosa, ela estava uns 20m na minha frente e seguíamos com ritmo entre 4:50 e 5:00.

Percebi que estávamos fazendo o percurso no sentido contrário indo pela parte de cima da Raia, fazendo aquele vai e vem típico da USP, antes de ir para a Politécnica. A parte que estávamos na raia da USP era com sombra e a outra pista, que seria usada no final da prova era no sol, em outras palavras isto significava que a partir da politécnica até o fim da prova, o sol seria meu companheiro. Neste momento resolvi acelerar, fazer uma bolsa de minutos e poder ir um pouco mais devagar na subida do cavalo e na temível Politécnica.

Quando seguimos em direção a praça do cavalo, pegamos retardatários das 5 milhas e isso afetou um pouco meu psicológico fazendo meu ritmo cair ligeiramente. Feito o retorno e indo em direção a Politécnica, meu ritmo retornou como por um milagre.

Na Politécnica um espírito baixou em mim e encarei a ida com ritmo ligeiramente abaixo de 5:00. No retorno, a menina de rosa que eu seguia reduziu o ritmo e eu consegui alcança-lá, disse para ela “Estou te seguindo desde lá em baixo, vamos juntas terminar esta prova” e ela foi comigo com ritmo entre 4:50 e 4:55, as vezes mais baixo… Foi uma ajuda silenciosa, não conversávamos, mas uma não deixava a outra reduzir o ritmo… Saímos da Politécnica e chegamos na raia da USP, faltavam 2km mas para mim parecia uma eternidade, o ritmo voltou a ser de 4:55 a 5:00 e eu lutava para seguir em frente. O sol castigava e os kms não passavam.

20130915_091048Quando passamos pela placa do km 15 eu disse a ela, se quiser pode acelerar, eu vou continuar neste meu ritmo aqui. Ela acelerou e voltou a ficar 20m na minha frente….daqui a pouco comecei a ver a placa de 500m, 400m, 300m (e eu pensava é uma volta e meia na pista do Espéria e acabou)… Ouvi umas pessoas dizendo que já tinha dado 1h20 e pensei será??? Quando vi o relógio na chegada, percebi que eles estavam errados, estava na casa dos 1h19, o que significava que meu ritmo estava abaixo de 5:00 e que pela primeira vez na vida iria completar uma prova acima de 10km na casa dos 4:xx….Cruzei a linha de chegada em 1h19m17s, cansada, super aquecida, mas extremamente feliz… Alcancei um sonho que para mim era impossível…

E agora???? Bom, vamos voltar aos treino, afinal a G4 de Brasília me aguarda e se tudo der certo será mais uma prova na casa do 4:xx.

Ah, terminado a prova falei com a moça de rosa e a agradeci… Não sei o nome dela, não sei em qual colocação ela terminou, mas ela será minha coelha.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Troféu Independência

Quase 4 meses depois da minha última prova, voltei novamente a me posicionar numa linha de largada…. Sabia que a prova iria ser dura e que no km 8 teria que enfrentar uma subida de 1km, mas mesmo assim durante a semana decidi assumir o melhor estilo kamikaze, acelerar desde o início e me virar quando a subida chegasse.

Antes da prova porém, ainda durante a semana, tive alguns treinos fortes; na terça foram 20 de 1min ritmo médio, seguidos por 10min ritmo médio forte e na quarta foram 4 de 1,5 km sendo 1 km a 80% e 500 a 85%. Na sexta o treino estava em aberto e resolvi dormir ao invés de treinar, uma vez que no trabalho a semana havia sido bastante cansativa.

 20130907_090348 Quando o Sábado chegou, era pura ansiedade, tudo apontava para uma excelente prova, mas o percurso cheio de sobe e desce era uma incógnita se aguentaria ou não. Ao ver o pórtico de largada percebi que tinha entrado numa fria, o percurso não era igual a dos Bombeiros e a largada ficava mais embaixo, o que indicava subida mais longa logo de início.

Fiz um bom aquecimento e fui pra largada uma vez que não havia baia por ritmo e quanto mais atrás eu ficasse mais tráfego enfrentaria. Enquanto aguardava, vi duas meninas na minha frente e pensei, “caramba estas meninas não devem correr nada e ficam aqui na frente, provavelmente vão atrapalhar os outros corredores…”

Quando foi dada a largada, saí acelerando e tentando vencer a subida o mais rápido possível, mas o gás foi acabando e a ladeira não… Pareceu uma eternidade quando vi o primeiro km e a ladeira embora menos íngreme continuava…. Antes do 2 km viramos e começamos a descer… Achei que teríamos somente descida, só que para minha surpresa o percurso passava por uma verdadeira montanha russa, com mais descidas do que subidas, é verdade… Nisso eu vi uma das meninas da largada, ela estava a uns 20m na minha frente e por mais que acelerasse não conseguia chegar nela….Olhei para o relógio e vi que estava a 4:40 e pensei não é possível, não pode ser que ela corra neste ritmo… Passei então a perseguir a menina mas a distância não diminuía…

Quando finalmente chegamos na parte plana da prova, lá pelo km4, havia separação entre os 5 e 10km e vi com uma satisfação imensa a 20130907_090600 menina ir em direção dos 5km, eu estava certa, ela não conseguiria fazer 10km naquele ritmo.

Precisei então arranjar um novo desafio e vi um grupo de corredores que haviam largado comigo e que estavam um pouco na minha frente…Decidi então mantê-los a vista…. A parte plana, não era bem plana, era cheia de falsos planos, as vezes a favor, as vezes contra e com isso meu ritmo variava.  Cheguei uma hora achar que estava ficando louca, fazia esforço e o ritmo não caía e do nada como se parasse de forçar, o ritmo melhorava como mágica. Nesta parte também notei que não havia mulher perto de mim, algumas (bem poucas) estavam bem a minha frente e outras estavam bem atrás.

Ao chegar próximo ao km 8, a ladeira recomeçou e sabia que teria pela frente pelo menos 1km de subida…. Comecei decidida a manter o ritmo e passar por esta última ladeira, mas devo confessar que sou fraca para o sofrimento e quando a brincadeira começou a apertar, o cansaço começou a bater e a dor passou a ficar mais forte, acabei andando. Andei por alguns segundos umas 3 vezes, mas o suficiente para a dor passar…

Quando a ladeira terminou, meu ritmo voltou ao normal e eu consegui passar de volta, alguns que haviam me ultrapassado… Olhei para o relógio e vi que não daria PR, tentei acelerar o máximo que dava na descida e assim recuperar parte do tempo perdido… Cruzei a linha com 49min27s, não foi PR, mas foi a melhor marca do ano….20130907_085019

Quando saiu o resultado minha percepção estava correta… haviam poucas mulheres na minha frente, fui a 10º no geral feminino e 2º na faixa etária… Para se ter noção da distância, enquanto estava na ladeira no km 8, eu ouvi a 5ª colocada chegar….

Fiquei muito feliz com este resultado, embora ainda tenha muito que melhorar, esta prova pela dureza do percurso, fazer abaixo de 50min foi uma conquista e tanto

Domingo que vem tem mais, 10 milhas da O2 e resta saber como me sairei….

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O dia que a pilha duracel não acabou…

Com quase uma semana de atraso, vamos a semana de treino… Dessa vez segui a planilha certinha e devo dizer que eu me surpreendi com alguns treinos. Parecia que um espírito baixou em mim e corri como nunca havia corrido antes…

Na terça-feira, treino leve para soltar as pernas, 10 de 4 min. Mesmo treinando leve o ritmo foi aumentando e no final fechei o treino com um pouco mais de 6 km.

Na quarta o treino começou a ficar mais forte, 4 de 8 min progressivo. Comecei a 5:30 e a cada volta na pista ia acelerando. Para tornar mais divertido fiz cada serie mais forte que a anterior. No final fechei o treino com 8km

Na sexta-feira o treino não rendeu, passei o tempo todo fazendo força e o ritmo simplesmente não entrava, no final fechei 5 km a 85% com um pouco mais de 25min.

20130831_134115 Já no sábado tudo mudou, o treino era pesado 3 de 4 km no ritmo de 10km. Queria fazer com ritmo abaixo de 5:00 e na melhor das hipóteses
com ritmo 4:50, mas parecia que tinha acordado com o capeta no corpo e as parciais foram 19:29, 18:57 e 18:41.

E não parou aí, a tarde fui para o McDonald's para transformar km em sorrisos. No McDonald's da Henrique Schaumann montaram uma infra-estrutura com esteiras e a cada km percorrido, o valor de um BigMac era doado para a campanha McDiaFeliz. Bom depois de ter almoçado um bel20130831_134115o BigMac fui enfrentar meus 10min e consegui fazer 2,2km, nada mal né?

No domingo, tinha 10km a 80%, combinei com o Colucci e fomos no Ibirapuera para mais um #blablablarun. As pernas pareciam que pesavam  2 toneladas, mesmo assim fechei os 10km em 52:20, o que equivale a um ritmo médio de 5:14. Em outras palavras estou 14seg da minha próxima meta.

E amanhã no feriado tenho Troféu Independência, 10km na montanha russa do Ipiranga e estou curiosa para saber qual tempo farei….

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