domingo, 21 de julho de 2013

Cardápio variado dos treinos

imagesO que eu mais gosto dos treinos é que nunca tenho monotonia, sempre tenho uma variação boa que acabam criando desafio. É quase sobreviver a um treino por vez. Mas devo confessar que essa semana a variação foi boa e deixou o pobre coitado da minha freqüência cardíaca meio maluca.

A terça começou com 4 de 10min ritmo médio, como estava recuperada do cansaço de domingo, consegui fazer quase um progressivo começando a primeira série com ritmo de 5:05 e fechando a última com ritmo de 4:55. No final fechei o treino com quase 10km

Na quarta-feira uma neblina cobriu SP e treinar de manhã foi apenas para os forte. O treino leve (20 de 1min ritmo leve) deixou tudo ainda mais difícil. Fechei o treino com quase 5km

Na sexta-feira o treino parecia bobo, 15 de 45'', sendo 15'' fraco 15'' médio 15'' forte, mas que deixou minha fc descontrolada e quem passava pela pista do Espéria sem entender nada, pois começa devagar, ia acelerando e terminava como se minha vida dependesse daquela corrida, daí sem mais nem menos parava…. Foi muito divertido, apesar de não ter corrido nem 4km

No sábado nada de moleza, foram 12km com ritmo 80%. Como a minha fc ainda está muito alta, fechei este treino com 1h07m, ritmo que fazia em 2010 :)

No domingo treino difícil, 10 de 1km a 80%, as pernas doloridas por causa do treino e do retorno a musculação junto com o tempo que resolvia mudar a cada minuto deixou tudo ainda mais complicado. A cada serie a perna ia ficando mais dura por causa do ácido lático e a coordenação motora ia diminuindo. Lembrei muito de como ficamos nos kms finais  término de uma maratona. No fim consegui fazer todas as series com ritmo variando entre 5:10/5:25.

Semana que vem tem Golden four e estarei lá apenas para social e provavelmente para puxar um amigo nos km finais.

domingo, 14 de julho de 2013

Correr no verão e treinar no inverno

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O problema de fazer prova em Abril não é apenas ter que treinar durante os meses mais quentes do ano enquanto a maioria está descansando ou no trabalho de base. Tem algo pior, bem pior que é ter que levantar nos meses frios para treinar sem ter um objetivo definido. Daí você só pode contar com boa vontade e essa frequentemente te abandona :)

Pensando nisso, acho que o ideal é fazer a prova em Junho, pois daí você passa o mês de Julho descansando e não tem que sair da cama quentinha as 5 da manhã com temperaturas abaixo de 12ºC. Se fizer prova no segundo semestre também não é ruim, pois você tem um objetivo definido e não há frio que te detenha (tá bom, exagerei…)

Nas últimas três semanas devo admitir que na guerra entre cama quentinha e treino, a cama ganhou várias vezes….. Mas existe luz no fim do túnel, esta semana minha vontade de correr finalmente voltou e já comecei a pensar em próximas corridas.

Junto com a vontade de correr o apetite também retornou e a freqüência cardíaca estabilizou (tá certo que ainda está alta, mas pelo menos está estável).

Bom agora só falta voltar para musculação. Até voltei, mas só estou fazendo superiores e abdômen. Esta semana preciso voltar a fazer serie inteira, pois a pernas já estão sentindo correr sem nenhum treino.

Finalmente posso dizer que existe vida pós Boston.

domingo, 16 de junho de 2013

A arte de voltar aos treinos…

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Ficar doente depois de uma maratona e ter que voltar aos treinos, já está virando uma rotina, mas nem por isso é fácil… Para ajudar desta vez, perdi peso e também apetite, o que me deixou ainda mais fraca. Minha esperança é que com o volume de treino aumentando, meu apetite retorne também. Enquanto isso, estou na fase do “empurrômetro”, ou seja, comendo por obrigação e várias vezes no dia, já que não consigo comer grandes quantidades. Para se ter uma idéia, nem fruta que é algo que eu adoro, estou com vontade de comer. Tenho saudades de sentir fome e de querer comer algo.

Com relação aos treinos, hoje fechei 15 dias treinando direto e tudo vai bem. A cada treino corro mais solta e mais fácil. A única preocupação ainda é com a fc que continua alta, mas isso é questão de tempo para retornar a normalidade.

Esta semana também voltei para musculação quase dois meses depois. Para não ficar muito quebrada resolvi começar com um exercício e ir incluindo um ou dois exercícios por vez. Por enquanto estou treinando apenas core e membros superiores, deixando para incluir as pernocas por último. Neste início, é apenas retorno ao condicionamento, sem nenhum exagero.

E por último voltei a fazer alongamento… E nossa como dói!!!! Acho que vou precisar de muita persistência para que minha musculatura volte ao ponto onde o alongamento seja algo prazeroso e não sessão de tortura.  

Quantos as provas, ainda não tenho nada em vista e para falar a verdade não estou com vontade de fazer prova alguma. Estou na fase de treinar apenas, sem pressão ou qualquer preocupação.

E assim aos poucos a vida vai voltando ao normal ou pelo menos a rotina….rs rs rs

domingo, 2 de junho de 2013

E o mês de Maio acabou…

O mês de Maio se foi, mas deixará saudades… Estes 30 dias foram marcados por vários acontecimentos, encontros e comemorações, principalmente dos meus 40 anos…. Se a vida começa aos 40 anos posso dizer que iniciei minha nova vida em grande estilo.

Iniciei o mês retornando aos treinos, mas sem treino forte, somente diversão até Junho onde decidiria próximos objetivos…. Estou fisicamente e psicologicamente cansada das maratonas e a idéia inicial é ficar pelo menos 15 meses sem maratonas… Estava precisando de um tempo para correr assim, correr sem objetivo, sem pressão apenas curtindo cada treino… Só que no meio do caminho tinha 2 provas, GRAAC e Tribuna.

20130512_091844 A prova da GRAAC é uma daquelas provas imperdíveis…. Tá bom que o circuito é o velho e batido circuito de 10km do Ibirapuera com a subida da Rubem Berta e teoricamente não teria nada de especial, mas a causa por qual corremos esta prova faz mudar o clima da prova e o que era nada espacial torna-se comovente. Não é uma prova para tempo e performance é uma prova para comemoração e festa. Famílias inteiras andam juntas celebrando inclusive o dia das mães.

E foi neste clima que meu pai estreou no munda da corrida. Ele e minha mãe fizeram a caminhada e ao finalizar ainda foram filmar a minha chegada nos 10km. É sempre muito bom ter a família participando da sua vida, eles se tornaram meus maiores fãs e sentem orgulho pelas minhas conquistas…

Bom quanto aos meus 10km, o plano era correr leve e sem pressão, mas como larguei na elite C saí muito forte, embora não estivesse 20130512_092838 forçando. Passado os 2 primeiros kms continuei me sentindo bem, então resolvi seguir forte até a subida da Rubem Berta, a partir de lá tiraria o pé e seguiria tranquilo até o final… Só que (sempre tem um “só que”) quando cheguei na Rubem Berta encontrei o Fabiano Paixão e resolvi seguir um trecho com ele… Daí conversa vai conversa vem, fizemos o retorno e começamos a descer acelerando…. Nesta hora, minha idéia de retorno tranquilo acabou e fizemos os últimos km acelerando, onde acabei fechando os 10km em 50min 30seg.

Diante deste resultado, pensei comigo… Se com a subida da Rubem Berta fiz 50min imagina como será na Tribuna…. Bom nesta hora, os treinos tranqüilos leve e sem objetivo ficaram em segundo plano e comecei a encarar a Tribuna com mais seriedade…. Será que conseguiria bater meu tempo do ano passado???

Bom na semana seguinte lá fomos para Santos…. Devo confessar que na largada não estava com muita vontade de correr, mas achava que ao dar a largada e começar a correr tudo passaria e iria o ritmo iria entrar…. Só que (novamente o só que) isso não aconteceu… Uma dor de 20130519_093002 cabeça começou no primeiro km e correr abaixo de 5:00 era muito desconfortável… No km 2 me perguntava o que estava fazendo lá e queira muito parar e ir pra casa. Comecei a achar que a dor de cabeça era em virtude da umidade e que se passasse a correr mais devagar tudo ira melhorar…Neste momento começou uma briga interna, ir mais devagar era inaceitável numa prova de 10km mas ir mais rápido era desconfortável e dolorido.

No km 5 o Alexandre Abreu me alcançou e disse que iria terminar a prova com ritmo a 4:50. Tentei acompanhá-lo, mas uns 50m depois disse que não dava e deixei ele seguir sozinho…. Assim fui lutando manter o ritmo até o final e por 6 segundos não fui sub50.

Ao voltar para São Paulo me sentia muito cansada e no dia seguinte a situação piorou, comecei a ter dor de cabeça, enjôo, dor no corpo calafrio… Passei quase 10 dias dormindo muito, não treinando nada e comendo muito menos. Fui ao médico achando que era gripe, mas os exames não apontaram nada…. A médica deve ter achado que eu estava fingindo ou então que tudo era psicológico.

Passados 10 dias os sintomas sumiram e resolvi voltar a treinar. Fiz um teste, uma corrida leve de 30min, mas logo no começo do treino a dor de cabeça voltou, me arrastei durante todo o tempo e ao termino todos os sintomas reapareceram, ganhando assim mais alguns dias de molho.

E finalmente hoje, 15 dias após a Tribuna, resolvi fazer mais um teste, novamente corri 30min leve no Ibirapuera sob uma garoa modorrenta, mas desta vez tudo correu muito bem e terminei o treino sem sentir nenhum sintoma…. Que venha o mês de Junho e junto com ele que meus treinos retornem, agora para ficar….

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Maratona de Boston

Por mais que você leia e escute relatos sobre a maratona de Boston você nunca estará preparado para o que irá encontrar. O que eu vivenciei no antes, durante e depois da prova, me fez amadurecer e admirar ainda mais esta prova. A relação que a cidade tem com a maratona não é algo que possa ser explicada por palavras e talvez este sentimento tenha sido o motivo pelo qual esta prova foi escolhida como alvo destes terroristas.

Durante a preparação para a maratona enfrentei todas as adversidades possíveis incluindo uma intoxicação alimentar uma semana antes de viajar. Como era minha primeira prova nos EUA e estava indo sem qualquer apoio de uma agência de turismo, viajei bastante apreensiva com o que iria encontrar. O tempo em Boston também era uma questão preocupante afinal a temperatura oscilava muito e ainda havia possibilidade de chuva.

Viajei na sexta-feira a noite fizemos escala em NY e chegamos em Boston no Sábado pela Manhã. Ao sair do aeroporto o primeiro choque com a temperatura, no dia anterior havia chovido e a temperatura tinha caído para próximo dos 6ºC.

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Ao chegar no hotel o check in só podia ser feito as 15:00, então deixamos as malas, fomos comer alguma coisa e aproveitei para fazer o último treino no parque ao lado do hotel.

Nunca havia corrido com tanta roupa e ao mesmo tempo passado tanto frio, isso me fez repensar estratégia para a prova. Não sabia com que roupa correr, pois tinha medo de passar calor no meio da prova.

 

Depois do treino fomos andando até a feira e pude ver toda a preparação para o dia da prova. A “Finish line” estava pintada, o pórtico de chegada estava sendo montado, DSC00704havia uma estrutura enorme de tendas para armazenar tudo que seria distribuído no dia da prova, além da movimentação de inúmeros caminhões de transporte.DSC00701

Ao lado da “finish line” havia uma igreja e no domingo ocorreria uma benção especial para os atletas.  Em todos os postes havia cartazes falando da maratona. A cidade vestia as cores amarelo e azul.

 

 

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A feira ficava num centro de convenção alguns metros depois da finish line e o local era quase do tamanho da bienal. Como chegamos tarde, estava simplesmente lotado, havia gente por todos os lados e praticamente todos os fabricantes estavam expondo DSC00706ali. O stand da Adidas era enorme com vários produtos oficiais da maratona. Paraíso perfeito para o consumo….rs rs rs

Aproveitamos e fizemos um belo lanche só com as amostras de comidas distribuídas por lá: barras, iogurtes, pão, etc. Espero sinceramente que o iogurte distribuído lá chegue ao Brasil, era parecido com Danoninho e no fundo havia uma geléia de frutas…

No dia seguinte fizemos mais uma visita a feira, passamos por algumas lojas na rua para mais algumas  comprinhas e mais tarde fomos para o jantar de massa.

2013-04-14-401A organização montada para um jantar envolvendo 27.000 corredores e suas famílias foi espetacular. Havia uma fila do lado de fora, mas em 15 minutos estávamos entrando. Logo na entrada já distribuíam uma espécie de prato, talheres e em seguida já serviam o jantar, dali era só escolher aDSC00715 mesa. Água, suco e cerveja eram distribuídos em vários pontos e se quisesse repetir o jantar havia locais lá dentro para isso. E ainda haviam telões onde passava cenas da maratona do ano passado.

Quando chegou a hora de encerramento, as luzes foram acesas, música e filme desligado, sinal que era hora de ir para o hotel descansar para o grande dia.

No dia seguinte mais uma logística, todos os corredores deveriam pegar o ônibus que levaria para a largada. De acordo com a onda de largada, foi estabelecido um horário específico de embarque, mas percebi que isso não foi muito respeitado e tive que esperar cerca de 40min para conseguir embarcar. Considerando o transporte de 27.000 atletas até que não foi muito tempo. Como o agasalho que levei não foi suficiente, passei muito frio nesta espera e pude ver como os americanos enfrentam este frio, com agasalhos e principalmente copo de café. Mais uma lição aprendida.

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Quando entrei no ônibus, foram cerca de 40min de viagem e pude conversar com outros atletas e também descongelar um pouco. A largada é numa cidade bastante tranquila com casas de madeiras, quintais e sem cerca.

A infra-estrutura montada na largada foi impressionante, haviam tendas para abrigar os atletas e mesas com café, frutas e produtos da PowerBar. Os atletas mais experientes levaram forros e se espalharam pelo chão como num picnic. A maioria ficou no sol aproveitando para esquentar um pouco. Agora, o que mais me impressionou foram os banheiros químicos, não havia aquele cheiro horrível que temos por aqui e achei extremamente limpo, mesmo depois de ser bastante utilizado e além disso, havia álcool em gel para esterilizar a mão após o uso. Para usar o banheiro as pessoas deixavam a bolsa do lado de fora e não havia perigo de ninguém mexer.2013-04-15-407

Chegada a hora fui para a largada que ficava cerca de 800m, como o sol havia saído e já estava um pouco mais quente descartei o agasalho que levei e fiquei apenas com o manguito luva e protetor para o pescoço. Na hora da largada a emoção e as primeiras lágrimas “eu estava lá começando a minha primeira maratona de Boston”.

Durante os primeiros 5km você não consegue fazer sua prova, simplesmente você acompanha o ritmo geral, dado a quantidade de atletas largando com você. Como a largada é por ritmo, não existe problemas nisso, pois o ritmo geral é o seu ritmo. Depois do 5º km você consegue um pouco mais de espaço e somente a partir do 10ºkm é que temos espaço para imprimir o ritmo mais rápido ou mais lento. Logo no primeiro km os suplementos que estavam na minha bermuda se soltaram e perdi metade deles, ficando basicamente com o gel. Não quis pensar a respeito, mantive a calma e segui em frente no famoso seja o que Deus quiser.

Existe público durante todo o percurso e em cada cidade existe uma particularidade você nota diferentes tipos de públicos, mas no geral estão na porta de casa torcendo e acompanhando, distribuindo água, icepop, fruta, lenço umedecido, lenço de papel, apesar da organização disponibilizar água e Gatorade a cada uma milha. Existem crianças, jovens e adultos esperando o famoso “high five”. Na famosa escola feminina as meninas ficam com cartazes pedindo beijos e fazem a alegria dos rapazes.

Durante o percurso vi vários homens e mulheres do exército americano, alguns estavam fazendo a segurança do percurso e outros caminhando com mochilas que pesavam mais de 20kg. Depois eu soube que estes homens e mulheres que caminhavam estavam fazendo isto para arrecadar dinheiro para uma fundação. De qualquer forma, serviram de inspiração para mim, pois ao olhá-los não podia me deixar abater, afinal não estava carregando peso algum.

Todo mundo comenta das subidas, mas ninguém fala das descidas e foram elas que acabaram com a minha perna. A prova pode ser dividida em três partes, os primeiros 21km são basicamente de descidas e como o tempo estava agradável acelerei, joguei fora os manguitos e as luvas e fechei a metade da prova em 1h51m.

Daí veio a segunda parte, a partir do km 25 começa o sobe e desce, uma verdadeira montanha russa que segue até o km37. Nesta parte, o tempo virou começou a ventar frio ao mesmo tempo que comecei a sentir as descidas. Não achei nenhuma subida muito forte e sinceramente não sei qual delas foi a famosa “heart break hill”, mas queria chorar a cada descida, minha perna estava dura por causa do frio e dolorida por causa das descidas. Com isso, meu ritmo caiu muito, mas correr devagar significava esfriar e acelerar era difícil. Nesta parte a alegria da prova desapareceu e veio a determinação, iria terminar custe o que custar e a regra que impus era seguir em frente no ritmo que desse. Andei algumas vezes mas era pior por causa do frio.

Então cheguei na última parte, onde basicamente corremos no plano e com algumas descidas, só que a medida que nos aproximava da chegada o vento frio, contra e cortante aumentava. Estava congelada e não podia parar de correr. Nos últimos km com a redução das descidas meio que acordei e consegui voltar a correr num ritmo melhor. Quando fizemos a curva e chegamos na reta final e pude ver o pórtico, fui tentando localizar minha mãe na multidão e cruzei a linha de chegada com 3h56min.

Terminei quase em estado de choque e somente depois de receber o protetor térmico e a medalha é que percebi que havia concluído a maratona. Nesta hora é que as lágrimas vieram e chorei como criança.

DSC00724 Passado este momento, bateu um pânico em mim e simplesmente queria sair de lá. Era muita gente junta, muita gente andando para pegar água, Gatorade, lanche e a bolsa no guarda-volume. Comecei a andar rápido passar as pessoas quase em desespero. Fui em direção a área reservada para encontro dos familiares e quando vi minha mãe abracei e pedi para ela irmos embora para o hotel. Neste momento ouvi a explosão. A princípio achei que fosse um rojão, não parecia nada demais.

No caminho para o hotel vi carros de bombeiros e ambulâncias, achei que as ambulâncias eram para socorrer atletas e que os carros de bombeiros iam atender a alguma chamada. Até comentei com a minha mãe que teriam problemas para chegar ao local, uma vez que as ruas estava todas fechadas. Somente soube do que aconteceu quando chegamos no hotel e minha mãe ligou a TV.

O que era alegria tornou-se apreensão e tristeza, no outro dia ao andar com a medalha ou a jaqueta da Maratona era DSC00726cumprimentada por todos  e passei a ser vista como “Sobrevivente” e “herói”. Eu havia terminado a prova, muitos outros corredores não, a bomba explodiu quando os corredores da terceira onda começavam a chegar, mais de 4.000 atletas foram impedidos de terminar a prova.

E neste cenário de caos, mais uma vez a organização da maratona deu exemplo de competência, transmitindo informações para os corredores, montando uma estrutura emergencial para que os atletas pudessem buscar suas bolsas. E ainda pintaram uma mini linha de chegada para que os atletas que não puderam completar a prova pudessem passar pela linha e ganhar sua medalha, cuidados que só quem ama o esporte poderia fazer.

Tudo isso só me deixa uma certeza, vou buscar o índice ano que vem para poder voltar em Boston em 2015 e fazer tudo novamente. Boston merece.

domingo, 7 de abril de 2013

Enfim chegou…..

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Sabe quando você dorme no ônibus ou metrô e acorda de repente e vê que sua estação ou parada já chegou???? É exatamente assim que eu me sinto com relação a maratona de Boston, ela simplesmente chegou, faltam apenas 8 dias…..

Todo treinamento duro ficou para trás e agora tenho apenas que arrumar a mala (a principal parte suplementos e roupa para a corrida já estão devidamente separados) e pegar o avião no dia 12.

No manual de boas vindas que recebi com as informações sobre a prova, a primeira página traduziu o que esta prova significa para todos os atletas

“This is personal

The Boston Marathon. It’s more than a race to you. It’s culmination of a longer journey – a personal one. It’s your chance to make a statement to the world about who you are and what’s important to you.

This is about yours goals, convictions and hopes. This is your day. This is your marathon.” John Hancock

É isso, é minha maratona e vou corrê-la com coração, aproveitando cada quilômetro e não quero nem pensar na emoção que será percorrer a última milha. Isso deixarei pra saber lá.

A previsão do tempo para o dia da prova está um capítulo a parte, já teve de tudo, sol, chuva, frio, calor (14ºC) e vento. Assim estou com plano A, B e C e chegando lá eu decido como vou. Pelo menos tudo indica que teremos sol, a temperatura que ainda tá variando muito e espero que fique acima dos 8º.

Na sexta-feira levei um susto, uma intoxicação alimentar me levou para o pronto socorro e mesmo tomando três bolsas de soro ainda hoje sinto os efeitos da desidratação. O lado bom é que o tinha que treinar já foi, então agora é descansar, recuperar para chegar inteira em Boston.

domingo, 24 de março de 2013

Treinando para Maratona

Tired Runner “No começo é tudo ohhhhhh, sorrisos e elogios, depois tudo vira ahhhhhh gritos e lágrimas” esta é uma frase do filme Parque dos Dinossauros (acho que o dois), mas encaixa perfeitamente no antes e durante um treinamento para uma maratona. E o mais engraçado (ou trágico) é que quando termina a maratona ou alguns meses depois nós esquecemos da dureza dos treinos e decidimos fazer outra maratona recomeçando o ciclo novamente.

Um treino para maratona a dificuldade não está apenas no treinamento em si, mas na ginástica que é necessário fazer para equilibrar sua vida. O tempo gasto nos treinos aumenta, o cansaço e a necessidade de dormir também e com isso o tempo livre simplesmente some e daí começa as cobranças da família e amigos e as vezes até no trabalho. É muito difícil para quem está a sua volta entender que você não está a fim de sair, que entre um cinema e sua cama, a sua cama vai ganhar. Algumas vezes é necessário partir para o sacrifício e ir naquele jantar ou almoço ou festa mesmo depois de ter corrido 30km e ainda ter que estar com sorriso e esbanjando simpatia, além de ter que justificar porque você não está bebendo, tudo bem que com a Lei Seca esta justificativa está mais fácil.

Outro dia eu li na Contra relógio que o número de maratonistas mulheres no Brasil é muito menor do que nos EUA, mas o que eu queria ver era um estudo da quantidade de crises do relacionamento que um treinamento para maratona acarreta ou a quantidade de maratonistas solteiros x casados. E não adianta dizer que quem corre também entende, na hora que o cansaço bate e a atenção diminui, começa a cobrança do outro lado.

Estou a apenas três semanas da maratona e juro que sexta-feira pensei em desistir de tudo, pensei em nunca mais correr na vida. No final, a razão sobrepôs a emoção e claro que o treinamento continuará e no dia 15 de abril lá estarei lá, no pórtico de largada da Maratona de Boston.

Para entender um pouco meu desespero, nas últimas 4 semanas, meu treino foi mais ou menos o seguinte, durante a semana treino intervalados com ritmo variando entre médio e forte, no sábado longão e no domingo longuinho no melhor estilo montanha russa.

02 e 03 de Março
Sábado - 20 km progressivo  
Domingo - 8 de 2 min ritmo médio forte, seguido por 8 km no sobe e desce do Horto

9 e 10 de Março
Sábado - 4 de 1 min ritmo forte, seguido por 24 a 27 km (dia da quebradeira geral por causa do calor)
Domingo – 16km no sobe e desce da Estrada Velha  

16 e 17 de Março  
Sábado – 2km aquecimento + 28 km
Domingo - Meia maratona de SP

22, 23 e 24 de Março
Sexta - 15 x 1min ritmo forte, seguido por 3 km a 80%
Sábado – 10 min aquecimento seguido por 30 km
Domingo - 4 de 2,5 km sendo 2 km médio 500m fraco

Isso sem falar que por causa do calor e de outras obrigações, estou sendo obrigada a acordar até no final de semana as 5:00 (as vezes antes) para começar a treinar as 6:00. O último dia que acordei tarde foi segunda-feira de carnaval e isso já faz mais de 30 dias. Mas com os dias ficando mais frios, hoje finalmente consegui acordar mais tarde (por volta das 8:30) e pude ir treinar no Espéria, reencontrando vários amigos. Foi tão gostoso que mesmo com treino duro por causa das pernas cansadas, meu humor voltou ao normal :-)

Quanto ao ritmo que vou para a Maratona eu realmente não tenho a menor idéia, a previsão é de muito frio (em torno de 8ºC) e o percurso é bastante técnico, então meu único objetivo é terminar bem levando o tempo que levar. Será uma caixinha de surpresa e isso torna a Maratona de Boston ainda mais especial.